Trocadilhos Divertidos com Espaço Tempo [anime]

Se um menino pode adotar um cachorro, porque um cachorro não poderia adotar um menino?

A lógica pode parecer meio perdida, mas tudo faz sentido quando se trata do Sr. Peabody:

O cão-gênio de As Aventuras de Peabody & Sherman, a nova animação da DreamWorks dirigida por Rob Minkoff (de O Rei Leão) e baseada no desenho dos anos 50 de Jay Wayd.

Mr. Peabody era um cão especial, desde filhotinho.

Mas sua super inteligência e a capacidade de falar acabou tendo o efeito contrário, e nenhuma criança tinha o interesse de adotá-lo.

O cachorro acabou se criando sozinho, e colecionando sucessos:

  • graduação, mestrado, doutorado, prêmio Nobel, inventando o planking e a zumba.

Porém, o seu maior desafio vem ao encontrar um bebê humano abandonado em um beco escuro – Sherman entra em sua vida para sempre, e o cão super-gênio se torna pai.

A genialidade do Sr. Peabody culmina na invenção de uma máquina do tempo, e com ela consegue viajar para o passado e ensinar a Sherman inúmeros fatos sobre a História – com um básico de física e química durante as escapadas que precisam (ocasionalmente e por causa de Sherman) dar.

O longa acaba sendo, portanto, uma lição atrás da outra, entregues de forma rápida demais para assimilar por completo, mas o suficiente para dar a impressão de que foi uma experiência tão didática quanto divertida.

Tanto Peabody quanto Sherman são altamente carismáticos, especialmente o menino, e a quase impossível missão de tornar crível a relação de pai e filho consegue ser alcançada.

Também, parece bobo querer comentar sobre a qualidade da animação de um estúdio como a DreamWorks, mas os detalhes do focinho canino de Peabody e o cabelo de Sherman são tão absolutamente detalhados e feitos com maestria que vale a pena a observação.

A produção consegue entreter, com momentos divertidos que salteiam as cenas de aventura.

Além disso, são debatidos temas mais sérios como bullying, adoção e a discriminação que Peabody sofre por ser um cão, com uma metáfora escondida o suficiente para ser plausível, mas ainda assim, eficiente.

Apesar de a resolução da trama não ter feito sentido quanto à  teoria temporal (confesso que me considero levemente entendida de teorias do espaço-tempo, e a resolução apresentada não faz muito sentido em nenhuma delas…), o roteiro se explica sozinho.

A solução é apresentada e explicada no próprio filme – não exigindo, e até torcendo para, que ninguém saiba conceitos de viagem no tempo nenhum.

Assim, o longa termina coerente, apresentando questões que são respondidas por si só.

Uma aventura divertida e diferente, com uma dupla improvável e cativante, em meio a incidentes que mexem com o passado da humanidade, botando toda a História no lugar.